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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Hillman Sozinho em Busca da Imaginação A Psicologia do Bezerro de Ouro


Este é o texto que Michael Vannoy Adams apresentou na Conferência “ Psique e Imaginação” da Associação Internacional de Estudos Junguianos na Universidade de Greenwich, Londres, 8 de Julho, 2006. Ela foi realizada na plenária cujo tema era “Why Hillman Matters” para a celebração dos 80 anos do aniversário James Hillman.

O grupo Himma- Estudos em Psicologia Imaginal agradece a colaboração com a qual o nosso amigo junguiano Michael Vannoy Adams tem apoiado nosso projeto de trabalho assim como a sua gentileza em disponibilizar seus principais textos para o nosso site/Blog. Agradecemos a sua atenção.

Marcus Quintaes

Hillman Sozinho em Busca da Imaginação
A Psicologia do Bezerro de Ouro

Michael Vannoy Adams

Quando comecei a imaginar o que poderia falar com relação à pergunta “Por que Hillman importa?”, me veio à mente uma passagem de Memórias, Sonhos, Reflexões. É a passagem em que Jung diz: “Olhando retrospectivamente, posso dizer que eu sozinho busquei logicamente os dois problemas que mais interessaram a Freud: o problema de ‘vestígios arcaicos’ e o problema da sexualidade” (1963: 168). Eu diria que James Hillman sozinho buscou logicamente o problema que mais interessou a Jung: o problema da imaginação.

Imagine então a minha surpresa quando, alguns dias mais tarde, relando a crítica de Wolfgang Giegerich à psicologia imaginal de Hillman no livro The Soul’s Logical Life, encontrei a seguinte passagem:

HILLMAN é provavelmente a única pessoa que respondeu a aquilo que era germinalmente inerente no projeto junguiano. JUNG havia dito que ele fora a única pessoa a buscar logicamente os dois problemas que mais interessaram a FREUD. Da mesma maneira, podemos dizer que HILLMAN desenvolveu logicamente aquilo que mais interessava a JUNG. (1999: 104)

Na minha primeira leitura de The Soul’s Logical Life, havia marcado a margem dessa passagem a lápis. Portanto, não há dúvida de que a passagem havia me causado uma impressão no passado. Seria isso um caso de criptomnésia? Ou simplesmente imaginamos Hillman da mesma maneira, Giegerich e eu? Será que isso importa? Será que Hillman importa? E se importa, por que?

Giegerich não diz que o que mais interessava a Jung era a imaginação e que foi Hillman sozinho que logicamente buscou esse interesse. Talvez porque o que mais interessa a Giegerich, e também o que ele busca tão logicamente seja a alma, ele diz que o que Hillman busca também é a alma. No livro Re-Visioning Psychology, Hillman realmente diz que o que lhe interessa é “a psicologia da alma”, mas também diz imediatamente que o que baseia esse projeto é “a psicologia da imagem” (1975: xi). A imaginação é a base da psicologia Hillmaniana.

Hillman poderia até concordar comigo que a imaginação era o problema que mais interessava a Jung, mas ele não iria concordar, imagino eu, que ele sozinho buscou esse problema. Ele provavelmente diria que a imaginação também tem sido a busca de muitos outros. Independente de se Hillman estava sozinho na busca da imaginação ou não, eu diria que se Hillman não tivesse buscado a imaginação da maneira em que o fez, os Estudos Junguianos contemporâneos seriam ainda mais “Estudos de Jung” do que já são.

O que seria dos Estudos Junguianos sem o Hillman? E se Hillman nunca tivesse existido? Será que os junguianos teriam de inventá-lo? Será que os junguianos teriam de imaginá-lo? Jung pode ter dito: “Graças a Deus que sou Jung e não um junguiano”. Eu diria o inverso: “Graças a Deus que sou um junguiano e não Jung”. Ou, talvez eu diria: “Graças a Deus que sou um Hillmaniano.” Ou talvez eu perguntaria: “Será que dá para imaginar que talvez um dia venha a existir uma International Association for Hillmanian Studies – uma IAHS?”

O título dessa conferência do IAJS é “Psique e Imaginação”. Para Jung, psique e imaginação não são duas coisas diferentes: são uma única coisa, são iguais. “Todo processo psíquico”, diz Jung, “é uma imagem e um imaginar”
(CW 11: 544, par. 889). Ele define o complexo como “uma coleção de imaginações” (CW 2: 601, par. 1352). Ele diz que “a psique consiste essencialmente de imagens” (CW 8: 325, par. 618) e que “imagem é psique” (CW 13: 50, par. 75). Por essa perspectiva, o título dessa conferência do IAJS não deveria ser “Psique e Imaginação”, mas “Psique como Imaginação”.

Hillman nega ter fundado uma “linha” de psicologia. Insiste em dizer que ele meramente enfatizou uma certa “direção” dentro da psicologia junguiana (Adams 1997: 103). E qual direção seria esta? A psicologia pós-junguiana foi “levada a sério durante os últimos trinta anos”, particularmente na Grã-Bretanha, diz Christopher Hauke, “em grande parte por causa do trabalho do analista junguiano americano James Hillman” (2000: 8). Hillman pode ser ou não um “pós-junguiano”, mas ele é certamente “pós-Jung”. Ele é um – e é de longe o mais original – dos integrantes da primeira geração de junguianos “depois de Jung”. Hillman estava no Instituto Jung em Zurique quando Jung ainda era vivo, mas ele não estava lá com Jung de nenhuma maneira pessoal. “Para falar a verdade, é engraçado, mas eu nem tentava passar tempo com Jung, mesmo que poderia”, disse Hillman. “Eu o encontrava em palestras ou festas nos anos cinqüenta, e às vezes sentava com ele para falar sobre assuntos do Instituto, mas foram quatro anos em que tive a oportunidade de ir lá e nunca fui” (1983: 102-3). Se Hillman não foi lá, para onde ele foi? Foi em direção da imaginação.

A primeira vez em que ouvi o nome “James Hilllman” foi vinte e cinco anos atrás em Londres, da poetisa e especialista em William Blake Kathleen Raine, enquanto ela me servia chá com biscoitos ingleses e geléia e creme. Raine me disse que, ao retornar aos Estados Unidos, eu deveria conhecer Hillman. Blake disse:”A Imaginação não é um Estado: é a própr ia Existência Humana” (1976: 522). Raine me aconselhou a conhecer Hillman porque ele também entende que a imaginação não é um mero estado, e sim a verdadeira base existencial da humanidade.

No capítulo “A Importância de Ser Blasfemo”, último capítulo do meu livro mais recente The Fantasy Principle: Psychoanalysis of the Imagination (Adams 2004), declaro que sou um ateu junguiano. Como costumo dizer, prefiro reprofanar a resacralizar. No entanto, uma noite nesse último inverno, minha filha de dezesseis anos me disse: “Pai, eu sei quem é o seu Deus”. Perplexo, perguntei: “Quem seria esse?” Ela respondeu: “James Hillman”.

Um mês antes desse episódio, Hillman havia falado no seminário da Jungian Psychoanalytic Association, um novo programa de treinamento em Nova York, e eu havia tirado várias fotos dele nessa ocasião. Hillman detesta fotografias, sobretudo de si mesmo. Ele me disse: “Você tira fotos de mais”. Respondi: “É engraçado que alguém que ama tanto as imagens deteste tanto as fotografias”. Ele disse: “Fotografias não são imagens”. Imprimi e emoldurei duas das fotografias. Foram aquelas fotografias que levaram a minha filha a dizer que Hillman era meu deus.

Sinto com relação a Hillman algo que não sinto nem por Jung nem por nenhum outro junguiano. Não venero Hillman, mas admito gostar muito dele. Por que gosto tanto de Hillman? Gosto dele porque sinto que temos algo em comum. Sinto que ele é parecido comigo. Para mim, sinto que somos parentes. Sinto o que Jung chama de “libido de parentesco” entre Hillman e eu. Em seu livro Inter Views, Hillman diz que sente “um parentesco com pessoas” que “estão tentando re-visionar as coisas” (1983: 28). É exatamente dessa maneira que sinto com relação a Hillman. Ao longo dos anos, Hillman tem sido para mim não um deus, mas um “kindred spirit” (“espírito irmão”) – e, como um espírito, ele me inspirou. Como nenhum outro junguiano, ele tem sido fonte de inspiração para mim. Imagino-me no espírito de Hillman. Espírito significa respiração, ar, e Hillman tem sido para mim um sopro de ar fresco na atmosfera mofada de Jung, Jung, Jung e mais Jung.

No “Festival de Psicologia do Arquétipo para Honrar James Hillman” na Notre Dame University em 1992, fiz uma apresentação intitulada “Meu Hillman Imaginal”. Hillman tem sido uma imagem para mim. Qual imagem seria esta? É a imagem de possibilidade de eu ser um junguiano e, ao mesmo tempo, não ser um junguiano – ou seja, é a possibilidade de eu ser eu mesmo. Paul Kugler uma vez me perguntou: “Michael, quando você vai parar de dizer ‘os junguianos” e passar a dizer ‘nós junguianos’?” Da mesma maneira, Hillman admite que “’os jungianos’ são um complexo monstruoso para mim”. Ele diz: “Sou um deles e, portanto, não os suporto – com a exceção de alguns amigos íntimos” (1983: 36). O que torna “os junguianos” tão insuportáveis para Hillman é o fato de que eles repetem Jung sem parar, de uma maneira automática, sem críticas e sem criatividade. Se existe algo como um “culto de Jung”, não é somente um culto de personalidade mas também um culto de teoria e prática. O resultado não é a imaginação – ou a individuação – mas meramente a imitação monótona de Jung por mediocridades; como resultado, Estudo Junguianos é, para eles, simplesmente “Estudos de Jung”.

David Tacey publicou uma apreciação crítica de Hillman – ou talvez seria mais correto dizer que ele publicou uma crítica apreciativa de Hillman – visto que, mesmo quando aprecia Hillman, o critica completamente. No artigo “Twisting and Turning with James Hillman”, Tacey me identifica como um dos “muitos acadêmicos” que “apóiam Hillman fervorosamente” (1998: 220). Eu sou um acadêmico – trabalhei no corpo docente de várias universidades e faculdades há mais de trinta anos. No entanto, não diria que apoiei Hillman. Pelo contrário, diria que a imaginação de Hillman deu o apoio para a minha imaginação. Felizmente para mim, o interesse de Hillman pela imaginação por acaso coincidiu com o meu interesse no mesmo assunto: uma feliz coincidência.

Em resposta à pergunta “Por que Hillman importa?”, eu proponho tratar de somente uma das questões abordadas por Tacey. Hillman raramente fala sobre o Self. Quando Andrew Samuels discute Hillman em Jung and the Post-Jungians, ele nota quão “pouco ele fala sobre o self” (1985: 107). Por exemplo, na obra Visioning Psychology, não há no índice nem mesmo uma instância de “Self”. Quando Hillman dispensou o Self, Tacey diz: ”talvez ele não sabia o que estava fazendo” (1998: 230). Eu diria, pelo contrário, que Hillman sabia exatamente o que estava fazendo. Ele sabia que, para re-visionar a psicologia junguiana conservadora e convencional, ele precisava rejeitar aquilo que chama de “o dogma da dominação do self” (1981: 136). O Self tem dominado dogmaticamente a psicologia junguiana, e Hillman sabia muito bem que ele precisava repudiá-lo.

Uma das razões pelas quais Hillman considera o Self dispensável é que ele é a favor de uma psicologia imaginal ao invés de uma psicologia conceitual. O Self é um conceito, não uma imagem. Jung reconhece que “o self é nada mais que um conceito psicológico” (CW 7: 238, par. 399). Da mesma maneira, quando Hillman fala sobre o ego e o Self, ele diz que ambos são “conceitos abstratos” e “não imagens” (1983: 83). Para Hillman, conceitos são generalizações abstratas, ao contrário de imagens, que são particularizações concretas. Imagens, ele nota, são muito mais específicas que conceitos. Hillman endossa a psicologia da imaginação que é uma psicologia da especificidade.

Uma outra razão pela qual Hillman considera o Self dispensável é que este não é simplesmente qualquer outro conceito. Na psicologia junguiana, o Self é “o conceito acima dos conceitos”. O Self é o Conceito, com letra maiúscula. É Deus com letra maiúscula. É Yahweh com letra maiúscula. Jung diz que “no lugar de um Deus ciumento”, Freud substituiu a sexualidade, que depois assumiu “o papel de um deus absconditus, um deus escondido ou velado”. No entanto, de acordo com Jung, “as características psicológicas desse dois opostos racionalmente mensuráveis – Yahweh e sexualidade – continuaram as mesmas” – só mudou o nome (1963: 151). Da mesma forma, no lugar de Deus, Jung substitui o Self, que é tão ciumento quanto Yahweh. Da mesma maneira que, para Freud, a sexualidade é Deus, para Jung o Self é Deus com outro nome. Quando Freud fala sobre Deus, ele menciona que “nenhuma imagem dever&aac ute; ser feita dele” (SE 23: 18). Freud enfatiza “a abstração sublime” dessa restrição. O segundo mandamento dentre os dez, Freud nota, é a proibição “contra a criação de uma imagem de qualquer criatura viva ou imaginada” ” (SE 23: 19). O segundo mandamento ordena: "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êxodo 20: 4). Essa ampla proibição, que reprime imagens concretas, é tão importante, diz Freud, porque sublima Deus como “uma idéia abstrata” – ou seja, um conceito abstrato (SE 23: 113). A psicologia junguiana comete uma sublimação e repressão parecida. O Self é sublimado e é repressor. Uma das características proeminentes dentre as características psicológicas que o Self, enquanto conceito, compartilha com Yahweh é o que eu chamaria de ciúmes das imagens. Por essa perspectiva, as imagens são idólatras e o Self, enquanto conceito, é iconoclástico.

Uma terceira razão pela qual Hillman considera o Self dispensável é que ele reduz a multiplicidade à unidade. Hillman rejeita a noção da psique “como, em última instância, uma unidade do self” (1975: 41). Na controvérsia sobre o Único e o Muito, a psicologia junguiana é uma teologia. É, como Hillman mesmo diz, um “monoteísmo” (1981). É uma teologia monista, e não a psicologia pluralista que Hillman primeiro, e depois Samuels defendem (1989). “Monismo, como uma tendência geral da psicologia”, diz Jung, procura estabelecer “uma ou outra função como o princípio psicológico supremo”. Jung critica “o monismo psicológico, ou melhor, o monoteísmo” como simples, porém defeituoso, porque ele implica a “exclusão da diversidade e rica realidade da vida e do mundo” a admite “nenhuma possibilidade real de desenvolvimento humano” (CW 7: 288, par. 482). Como conseqüência, Jung diz que o pluralismo deve, em última instância, superar o monismo. Ele diz que no futuro a psicologia “terá de reconhecer a pluralidade de princípios e acomodar-se a eles” 7: 288-9, par. 483). No entanto, na teoria e na prática, Jung estabelece uma função, o Self, como o princípio psicológico supremo, e ele explicitamente o correlaciona “com o monoteísmo” (CW 9,2: 268, par. 427). Por outro lado, quando Hillman re-visiona a psicologia junguiana, ele reconhece a pluralidade dos princípios. Ele é a favor de uma psicologia que valoriza o que ele chama de “a pluralidade das diferenças individuais”. Ele diz que “são justamente essas diferenças que queremos manter em mente”. O que Hillman propõe é uma psicologia de “diferenciação” (1981: 124). É uma psicologia que multiplica ao invés de unificar, mas Hillman não privilegia o muito sobre o único. Como ele mesmo diz, ele privilegia “os muitos e os diferentes” sobre “o único e o igual” (1981: 114). Como já mencionei antes, Gregory Batesom e Jacques Derrida enfatizam “a importância decisiva da ‘diferença’” (Adams 1991: 225) – assim como Hillman. Hillman adota o que eu chama de uma posição diferencial com relação às imagens. Imagens diferentes e as diferenças entre elas são o que lhe interessam. Ao invés de reduzir as muitas e diferentes imagens a um único e igual conceito, o Self – uma unidade conceitual – Hillman radicalmente afirme a multiplicidade e alteridade imaginal.

Tacey diz que Hillman oferece “ao analista clínico pouco ou nada com que se trabalhar” (1998: 218). Pelo contrário, Hillman oferece ao analista tudo com que se trabalhar: a multiplicação e alteração espontânea e autônoma das imagens emergentes. O que Hillman oferece ao analista é o que a psique como imaginação oferece – imagens, imagens e mais imagens. Nesse aspecto, a psicologia imaginal é o que eu poderia chamar de “psicologia do bezerro de ouro”, e, assim sendo, é intrinsecamente idólatra. Como Moshe Halbertal e Avishai Margalit notaram, o bezerro de ouro é “a epítome da idolatria na Bíblia” (1992: 3). Enquanto Moisés recebe os Dez Mandamentos de Yahweh no Monte Sinai, Arão funde os brincos de ouro das esposas, filhos e filhas dos israelitas e “com uma ferramenta para esculpir”, faz uma imagem esculpida, “um bezerro fundido” (Êxodo 32: 4). Os israelitas começam a brincar e a dançar. Quando Moisés retorna, ele quebra, com raiva, as duas tábuas em que o dedo de Yahwwh escrevera os Dez Mandamentos. Depois queima o bezerro de ouro no fogo, mói até virar pó e espalha sobre a água, fazendo com que os israelitas depois bebam da água. Quando Yahweh oferece o tratado da Terra Prometida ao Povo Escolhido, ele diz que ele expulsará os amoritas, cananitas, hititas, perizitas, hivitas e os jebusitas, mas que os israelitas deveriam “quebrar suas imagens” (Êxodo 34: 13), pois Yahweh é um Deus ciumento. Na verdade, o próprio nome de Yahweh é “Ciumento”, com letra maiúscula (Êxodo 34: 14). A psicologia junguiana, em que o Self é simplesmente Yahweh com outro nome, um conceito iconoclástico, também quebra as imagens com ciúmes – imagens que ela considera idólatras. Do ponto de vista de psicólogos junguianos conservadores e convencionais, Hillman é um idólatro; não um Moisés do Self, mas um Arão de imagens. Ele brinca e dança ao redor dos bezerros dourados que a psique continuamente esculpe. Em última instância, Hillman importa porque as imagens importam – imagens estas que são concretas, particulares, múltiplas e diferentes.

Tradução: Marcus Quintaes e Clarissa Oliveira

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